Entrevista com o escritor Mar’Junior

Para encerrar nossa série de entrevistas com escritores independentes, conversamos com Mar’Junior, autor da trilogia PEPITA.

Sobre o autor:

MAR’JUNIOR nasceu em 21 de março de 1961, no Rio de Janeiro, onde reside
até hoje. É protestante, tem dois filhos, duas netas, é ator, diretor, produtor,
roteirista, autor teatral (com mais de 30 textos escritos e tendo já diversos
encenados) e escritor com nove títulos: “Caminhos Percorridos”, “BULLYING –
EU sofri. EU pratiquei. EU hoje conscientizo.”, a trilogia “PEPITA”, “O
Mensageiro”, “Soviéticos, 1950”, “A Formiguinha e a Cosquinha” e “Quatro
mãos e um abraço”.

S.N.: Conte-nos sobre como iniciou sua carreira literária.

M.J.: Tudo começou na adolescência e lá se vão quase 50 anos. Escrevia poesias, poemas e sempre tinha o desejo de um dia poder publicar um livro sobre os meus escritos. O tempo passou e isso caiu no esquecimento. Além disso, tudo que escrevi se perdeu.

Até que um belo dia… Resolvi contar um pouco do momento em que vivia, quando escrevi a minha primeira autobiografia que lancei em 2001. Vendi tudo no dia do lançamento. Tudo bem, não era muita coisa, só fiz uma tiragem de 100 livros, mas me assustei com a repercussão. Mesmo assim, a escrita ainda não tinha me pegado.

Em 2010, entre o natal e ano novo, resolvi rascunhar e contar a minha história sobre os inúmeros problemas vividos de maus tratos na infância que sofri dentro de casa e na minha escola. Escrevi abertamente sobre o bullying.

Foi quando em 2012 tive a coragem de me expor e lancei “BULLYING – EU sofri. EU pratiquei. EU hoje conscientizo.” 

Na época, eu já realizava um espetáculo de teatro sobre o tema e viajava o país. Com texto, direção e produção minha e do Patrick Moraes. BULLYING nasceu em 2003 e em 2004 invadíamos as cidades brasileiras. Até hoje realizamos o espetáculo, mesmo que no momento estejamos parados por causa da pandemia.

BULLYING está indo para a 18ª temporada e com mais de 600 mil espectadores. O espetáculo tem cinco músicas, com cinco ritmos diferentes. Todas de minha autoria e do Patrick Moraes.

Passados esses anos e com uma ótima repercussão da obra lançada em 2012, escrevi PEPITA primeiramente como peça de teatro e depois a levei para a literatura em 2015. Foi aí que comecei a levar a profissão de escritor mais a sério. Em novembro de 2017, lancei o primeiro livro da trilogia PEPITA. Isso aos quase 57 anos. De lá para cá, escrevo e lanço todos os anos pelo menos um livro. Só que este ano escrevi três – “SOVIÉTICOS, 1950”, “QUATRO MÃOS E UM ABRAÇO.” E “A FORMIGUINHA E A COSQUINHA”, meu primeiro livro para o público de 3 e 4 anos. 

Recentemente, lancei o terceiro livro da trilogia PEPITA e espero ainda lançar este ano “SOVIÉTICOS, 1950”. Estou trabalhando nisso.

Gosto de inovar na minha escrita. É como se estivesse me exercitando diariamente. Além de ter 4 livros sobre bullying, um romance policial, dois infantis, recentemente escrevi um sobre Síndrome de Asperger (QUATRO MÃOS E UM ABRAÇO).

S.N: Possui algum método de escrita, como organiza as ideias e quanto tempo dedica à escrita?

M.J.: Não tenho roteiro pronto. A ideia ou o tema principal surge e a história vai se desenvolvendo por ela mesmo. Tenho disciplina e sei exatamente quando começo e finalizo um livro. Escrevo rápido. Sou muito focado. Me dedico naquilo que creio ser necessário.

Faço muita pesquisa ao mesmo tempo em que escrevo, pois algumas das minhas obras, que são de ficção, têm muitas situações de momentos reais vividos pelos meus personagens.

Meus personagens são vivos, nem parecem fictícios. Cito o caso da Pepita (trilogia Pepita), do Daniel (O Mensageiro), do Tarciso e da Emy (Soviéticos, 1950) e Patrick e Priscilla (Quatro Mãos e um Abraço).

Dou nomes reais a alguns personagens. Em “QUATRO MÃO E UM ABRAÇO”, homenageio os meus filhos.

S.N.: Possui livros físicos ou apenas digitais? Sente que ainda há um certo preconceito por parte dos leitores com os e-books? E com a literatura nacional?

M.J.: Antes de lançar meus livros em e-book, eles saem em papel, o tal falado livro físico e sempre com uma tiragem acima de mil. Isso dá um preço mais em conta. Colocamos em e-book depois na Amazon.

Leitura é hábito e se você não tem o hábito de ler e-book, vai sentir no início. Conheço muita gente que depois que começou a ler e-book não parou mais.

Não podemos fugir do mercado, infelizmente o livro nacional tem menos peso, mas isso não quer dizer que seja pior, ao contrário, temos excelentes autores. Eu leio muito nacional e se gosto de um autor, leio toda a sua obra.

S.N.: No seu processo de publicação independente, quais etapas costuma seguir, faz revisão, diagramação e capa por conta própria, ou prefere contratar freelancers?

M.J.: Nada que queira fazer bem feito, pode ser de qualquer maneira ou você fazer por fazer. Ser independente não quer dizer que você tenha má qualidade em sua obra. As minhas capas têm estilo próprio, não são buscadas imagens em bancos. Tenho design que cuida de fazer um livro mais pessoal, o Hylder Barbosa e o Marcelo Peixoto. Temos os profissionais que cuidam das minhas obras como cuidariam de seus próprios filhos: bibliotecário para a ficha catalográfica e ISBN, revisor, diagramador e por aí em diante. Além de um time de quatro pessoas que leem minhas obras antes de eu lançar.

S.N.: Quando do seu tempo é investido na divulgação do seu livro, e quais costumam ser os meios de divulgação? Acredita que as redes sociais, blogueiros/booktubers, ajudam a dar maior visibilidade às obras?

M.J.: O tempo todo fazemos divulgação das minhas obras. Orgânica ou não. Mas a melhor divulgação é quando compram um livro seu e postam uma resenha ou depoimento sem a obrigação de fazer. Algumas vezes vem junto com a foto. Isso gera novas vendas.

Qualquer pessoa ou alguém da imprensa que fala sobre o que você escreve ajuda muito, mas não creio que você dando o seu produto fará ser diferente. 

Acho muito importante o leitor falar dele e isso não importa o que ele seja, como também não importa a idade dele e quem ele é. Para mim é leitor e minha dedicação a ele é o reconhecimento dele ter lido e postado. Isso gera outras coisas bacanas. Sou muito grato a quem me lê, a quem consegue postar algo a respeito e a quem compra os livros.

Quanto mais gente e de todas as áreas falar da sua obra, mais chances de ter seu livro decolando.

Hoje, muitas das minhas obras são paradidáticos. Quer reconhecimento melhor do que isso?

S.N.: O que acredita ser a maior dificuldade de um autor independente?

M.J.: Isso é muito pessoal. No meu caso, por exemplo, eu não me importo se estarei ou não numa livraria e nem faço questão. Mas de uma forma geral, creio eu que deva ser o capital inicial para tocar o seu projeto. Pois fazer algo com capricho existe custo.

S.N.: Quais as suas inspirações (livros, autores)?

M.J.: O que verdadeiramente me inspira é a Bíblia, a leio todos os dias desde 1995.

Agora tenho inúmeros autores que me fazem refletir e que gosto muito da pegada deles. Vamos lá: Harlan Coben, John Grisham, Joël Dicker, Chris Melo, Lycia Barros, Lu Piras, Jodi Picoult, Augusto Cury, James Petterson, David Baldacci, Tammy Luciano e Nicholas Sparks. 

Existem outros e antes de escrever, sou leitor.

Gosto de ler muito biografias e sobre Nazismo. Talvez 30% da minha leitura anual seja sobre isso.

Biografias porque acho que todo mundo tem uma história para contar e com isso aprendemos muito. Já o Nazismo, que foi o grande mal do último século, é mesmo para enriquecimento histórico.

Sinopse de Pepita:

UMA HISTÓRIA FORTE E ENVOLVENTE.

PEPITA tem perdas importantes na sua vida, mas também tem encontros extraordinários. Ela tinha tudo para não sofrer bullying, mas o inverso aconteceu e ela não sabe até hoje porque Canina e as “populares” a tratam tão mal, perseguindo-a. PEPITA mostra que praticar ou sofrer bullying independe de raça ou posição social. E que ter uma família desestruturada já é meio caminho para isso.

“Começo dizendo que poderia definir essa leitura como agoniante. Vemos toda a dor e sofremos com ela diante de tanta impunidade.” Leitura Descontrolada

“Mar’Junior escreve de uma maneira fluída que te faz ler muito rápido para ver se as atrocidades contra a Pepita irão acabar.” Entrelinhas

“Enquanto lia, eu tive raiva das personagens, chorei junto com a Pepita e fiquei triste pelas pessoas que fizeram vista grossa e não a escutavam.” Pensamentos e Opiniões

“É uma leitura que beira a praticidade, mostrando de maneira nua a realidade da jovem violentada.” Retipatia

“A falsa percepção de que apenas os ‘diferentes’ são excluídos cai por terra quando conhecemos Pepita.” Gatita & Cia

Conheça as obras do autor:

http://www.marjunior.com

Redes Sociais @ciaatoresdemar

Agradecemos ao Mar Júnior por esta entrevista inspiradora

2 pensamentos

  1. Mar’Junior, no meu entendimento, após ler O Mensageiro, Pepita 1-2-3, e agora Soviéticos 1950, está em um crescente como escritor. Já nota-se diferenças nas apresentações e desenvolvimento de suas obras, com o aprimoramento na comunicação de suas ideias e convicções. É escritor, ao meu ver, com um grande potencial e um futuro brilhante.

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