Resenha: Corte de Espinhos e Rosas

A resenha de hoje é sobre Corte de Espinhos e Rosas, primeiro livro da série de mesmo nome, que se tornou uma das minhas leituras favoritas dos últimos tempos. Vou colocar aqui uma breve resenha que postei no Instagram – siga o blog lá também – e depois colocarei minha análise um pouco mais detalhada e com spoilers, mas estará bem sinalizado, então se não gosta de spoiler não leia após o aviso.

Livro: Corte de Espinhos e Rosas

Autora: Sarah J. Maas

Editora: Galera Record

Páginas: 431

Nota: 5/5⭐

Comprar: Amazon

Eu comecei a ler Corte de Espinhos e Rosas por causa da Leitura Coletiva organizada pela Re (@retipatia), mas estava com dúvidas se seria o tipo de leitura que me agradaria. Foi então que me surpreendi.

Em um mundo há muito tempo dividido entre feéricos e humanos, após uma rebelião que pôs fim à escravidão a qual os humanos eram submetidos pelos seres mágicos, vive Feyre, uma humana que, desde muito cedo, aprendeu a fazer o que fosse necessário para manter sua família viva. Ao tirar uma vida durante uma caçada, Feyre acaba tendo que deixar sua família para trás e viver no mundo feérico como punição. O que ela não esperava era encontrar no Grão-Feérico que a aprisiona, alguém que despertará seu amor. Porém, como nem tudo são flores (nem mesmo na Corte Primaveril), há uma maldição que aprisiona os feéricos enfraquecendo sua magia e que poderá afetar o mundo dos humanos. Feyre, então, deverá provar seu amor e enfrentar as forças do mal. 

O livro inicia com uma descrição detalhada que pode cansar alguns leitores, mas que, para mim, é um ponto positivo. Acho incrível a imersão no universo e também a diferença quase palpável do olhar da Feyre no decorrer da história.

Utilizando alguns contos de fadas e mitologias como referência, de início o que mais se destaca é a semelhança com A Bela e a Fera.

Ao concluir a leitura é que percebemos com maior clareza algumas situações que pareciam um pouco estranhas no começo e que começam a ser explicadas, resultando em uma história bem fechada – com exceção dos pontos que ligarão as histórias dos próximos livros. Também ao final da leitura conseguimos nos distanciar um pouco e direcionar um olhar mais crítico à alguns pontos que merecem reflexão.

E é a partir desses pontos que iniciarei minha análise a seguir.

OBS: Leitura com possíveis gatilhos.

AVISO DE SPOILER!

O TRECHO A SEGUIR POSSUI DETALHES SOBRE A HISTÓRIA. NÃO PROSSIGA SE NÃO GOSTAR DE SPOILERS.

Relacionamento abusivo na literatura fantástica.

A história de A Bela e a Fera você já conhece: a mocinha aprisionada por uma fera que passa a nutrir sentimentos pelo seu sequestrador. Essa também é a definição da Síndrome de Estocolmo.

Síndrome de Estocolmo é um estado PSICOLÓGICO em que a pessoa submetida a intimidação, medo, tensão e até mesmo agressões, passa a ter empatia e sentimento de AMOR e amizade por seu AGRESSOR.

Unipsico em unipsicorp.com.br

Feyre é uma personagem que não conhece o amor, vive numa situação difícil e não acredita na felicidade. Ela passa a morar em uma mansão de um cara lindo e riquíssimo, além de todo-poderoso, que a trata “razoavelmente” bem (explico adiante), e se acostuma com algumas facilidades. Não precisa mais passar fome, nem se preocupar com o bem-estar da sua família, tem tempo para passear por jardins maravilhosos e se dedicar à arte. É claro que ela passa a nutrir sentimentos por Tamlin.

No início me pareceu o clichê “enemies to lovers”, ou seja, o casal que se odeia e aos poucos vai construindo um relacionamento até estarem perdidamente apaixonados. E vou deixar claro aqui que eu não tenho nada contra um clichê do tipo, aliás, amo! Mas Tamlin tem uma personalidade que se mostra ligeiramente tóxica ao longo do livro. Ele é controlador, e, em diversos momentos, seu descontrole emocional se fez presente. Feyre nota essas características, mas parece tentar justificá-las de alguma forma ou simplesmente esquecê-las.

O Grão-Senhor usa o bem-estar de sua família contra ela e altera suas memórias. Em muitos momentos Feyre nota que suas garras eclodem quando ele está alterado – o que ocorre com frequência. Em uma de suas falas, Tamlin ORDENA que a humana jamais o desobedeça de novo, e, em outro momento, diz que normalmente estaria gritando com ela. Isso tudo somado ao fato de que Feyre está ali para ser USADA em benefício do povo da Corte Primaveril quebrando a maldição, faz com que o relacionamento dos dois pareça cada vez mais errado.

Não podemos deixar passar esse tipo de coisa e romantizar um relacionamento abusivo apenas por se tratar de um livro de fantasias. Nos livros seguintes, algumas dessas questões deverão ser tratadas, mas fica a reflexão. Se antes de saber sobre a maldição havia um desconforto em relação às ações de Tamlin, é porque não era uma relação completamente saudável.

E você, o que achou do relacionamento entre Feyre e Tamlin?

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