Resenha: A metade perdida

Confesso que não é muito difícil eu favoritar uma leitura, mas para entrar na lista de favoritos da vida, os pré-requisitos são bastante rigorosos. A Metade Perdida, de Britt Bennet entrou nessa lista com louvor e hoje trago a resenha desse meu mais novo favorito. 

Sinopse:

As irmãs Vignes são gêmeas idênticas. Quando aos 16 anos resolvem fugir de casa, elas não fazem ideia de como isso vai alterar suas trajetórias. Mais de uma década depois, no final dos anos 1960, uma delas volta para a cidade natal, Mallard — uma comunidade negra no sul dos Estados Unidos cuja marca é a pele clara dos moradores, debruçados geração após geração sobre o ideal de se clarear ainda mais. O choque desse regresso não poderia ser maior, porque ela não apenas chega sem a irmã, mas com uma criança. Uma criança de pele muito escura. (…) Em seu novo romance, onipresente nas listas de melhores livros de 2020 nos Estados Unidos, Brit Bennett impressiona com sua potência narrativa, provoca e faz pensar. Em um ambiente segregado, no qual a cor da pele importa a ponto de significar vida ou morte, beira o surrealismo lembrar que ser branco ou ser preto pode ser apenas um ponto de vista.

“Às vezes, o que nos torna nós mesmos são as pequenas coisas.”

Narrado em terceira pessoa, o livro acompanha a história de diversos personagens da mesma família entre as décadas de 1950 e 1990. Com seus passados e futuros entrelaçados, quão longe uma mentira pode chegar? E quando a mentira é contada para si mesmo?

“Mallard sempre fora mais uma ideia do que um lugar, e uma ideia não podia ser alterada em termos geográficos.”

Quando decidem fugir de casa, Stella e Desiree Vignes não estão fugindo apenas da pequena cidade de Mallard, mas de si mesmas. Quando seus caminhos se separam, suas vidas se tornam o oposto uma da outra. “Será que é possível ser duas pessoas diferentes em uma mesma vida?”

Com uma narrativa forte e ao mesmo tempo sensível, Brit Bennett levanta importantes questões que, infelizmente, não são exclusivas da época em que a história se passa. Utilizando-se em demasia de uma linguagem intencionalmente ultrapassada, a questão racial é exposta de uma maneira quase surreal enfatizando as desigualdades, preconceitos, e injustiças, e gerando importantes reflexões acerca da formação da identidade racial.

“Quando se casava com alguém, você prometia amar todas as pessoas contidas no seu companheiro. Ele prometera amar todas as pessoas que ela fora. E aqui estavam os dois, ainda tentando, mesmo que o passado e o futuro fossem um mistério.”

Ao mesmo tempo, acompanhamos o drama familiar e os relacionamentos interpessoais de personagens complexos, cada um em seu próprio trajeto de desenvolvimento, mas ligados por um vínculo em comum. 

Uma leitura de sensibilidade profunda e escrita impecável que recomendo fortemente a todos.

Sobre a autora:

Brit Bennett nasceu e cresceu no sul da Califórnia. Formou-se na Universidade de Stanford e se especializou em literatura pela Universidade do Michigan. Tem textos publicados na New Yorker, na The New York Times Magazine, na Jezebel e em outros veículos de renome. As Mães é seu primeiro romance.

Ficha de leitura:

Livro: A metade perdida

Aurora: Brit Bennett

Editora: Intrínseca

Páginas: 336

Nota: 5/5⭐

Comprar: Amazon

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