Resenha: Corte de Asas e Ruína

Corte de Asas e Ruína é o terceiro livro da saga Corte de Espinhos e Rosas (resenhas dos volumes anteriores aqui e aqui) da escritora best-seller do New York Times, Sarah J. Maas, também conhecida como dona do meu coração. 

Hoje trago a resenha desta emocionante, empolgante e viciante história e espero conseguir provar que é possível amar algo e, mesmo assim, ser capaz de identificar os pontos negativos.

Vale, como sempre, deixar claro que a resenha conterá spoilers dos DOIS PRIMEIROS livros. Minhas resenhas são, geralmente, livres de spoilers, mas, neste caso, devido à necessidade de comentar sobre alguns pontos da narrativa, farei uma exceção e os SPOILERS de CORTE DE ASAS E RUÍNAS estarão ao final da resenha devidamente sinalizados.

Sinopse:

Feyre Archeon suportou a fome, o frio e a desesperança, atravessou a Montanha e foi Sob a Montanha. Reclamou seu amor, quebrou a maldição e livrou o povo feérico da mais terrível ameaça… ou não? Amarantha pode ter sido aniquilada, mas o rei de Hybern pretende usar o Caldeirão para moldar um novo tempo; uma época de trevas e escravidão.A guerra se aproxima, um conflito que promete devastar Prythian. Em meio à Corte Primaveril, num perigoso jogo de intrigas e mentiras, a Grã-Senhora da Corte Noturna esconde seu laço de parceria e sua verdadeira lealdade. Longe de sua corte, longe de seu Grão-Senhor e verdadeiro amor, ela reúne informações, na esperança de vencer Hybern. Tamlin está fazendo acordos com o invasor, Jurian recuperou suas forças e as rainhas humanas prometem se alinhar aos desejos de Hybern em troca de imortalidade. O exército inimigo parece imbatível. Mas o sonho de Velaris é como um farol em meio às trevas. O ideal de um mundo mais justo. Enquanto isso, Freyre e seus amigos precisam aprender em quais Grãos-Senhores confiar, e procurar aliados nos mais improváveis lugares. Porém, a Quebradora da Maldição ainda tem uma ou duas cartas na manga antes que sua ilha queime.

O livro inicia logo após os acontecimentos finais de Corte de Névoa e Fúria, com a Grã-Senhora da Corte Noturna infiltrada na Corte Primaveril, e, nos primeiros capítulos, temos uma Feyre poderosa, manipuladora, inteligente e dona-da-po##@-toda (inclusive do meu coração). Com o intuito de honrar sua promessa de destruir a Corte de Tamlin, após o ápice de sua traição — que ultrapassou todos os limites da toxicidade de macho desprezível que é — Feyre executa seu plano com tanta maestria que consegue enganar até mesmo os leitores, embora a história seja narrada pela própria protagonista.

Corte de Asas e Ruína promete trazer a esperada batalha que vem sendo construída através da trilogia. Nós ansiamos, nos preparamos, roemos as unhas na expectativa do derramamento de sangue, do cumprimento de todas as promessas de vingança, do envolvimento de criaturas nascidas do próprio medo, e essa expectativa cresce, cresce, e cresce, com cenas de confrontos cada vez mais presentes na narrativa que ganha um ritmo acelerado até que… que resolvem fazer uma reunião de dois dias para discutir os detalhes da guerra, mas que vira um eterno Casos de Família com a presença de certos machos com imensos problemas psicológicos (ou seria de caráter mesmo?).

Essa quebra no clímax não passa despercebida, mas conseguimos perdoar, ainda na esperança de uma batalha épica e sangrenta (sim, sou dessas). E, em determinado ponto, a guerra tem início, mas, espera um pouco, acho que já vi essa cena! Sim, o uso de plot twists de outras fantasias fica ainda mais nítido, afinal, Sarah sabe construir personagens maravilhosamente bem, mas na fantasia… bem, posso dizer que entendi a referência.

Falando em personagens bem construídos, outro ponto que me incomodou um pouco foi a quantidade de personagens que foram jogados durante a história, outros que prometeram mais do que cumpriram, alguns que tiveram atitudes não condizentes com suas personalidades, uns que, milagrosamente, surgiram das cinzas, e um ou outro com uma redenção desmerecida.

Mas, Mayla, quer dizer que o livro é ruim? Não! É maravilhoso! Embora minhas expectativas não tenham sido atendidas e o livro tenha prometido mais do que cumpriu, Sarah sabe como nos prender numa narrativa envolvente. Mesmo com falhas em tantos personagens em determinados momentos, sua habilidade em explorar as relações na construção de personagens complexos é notável. Mesmo que a guerra não tenha se apresentado da maneira que esperava, foi repleta de momentos angustiantes, emocionantes, com reviravoltas (mesmo que até o Capitão América tenha entendido as referências) e cumpriu seu propósito na história. 

“A guerra permaneceria comigo por muito tempo depois de acabar, alguma cicatriz invisível que talvez esmaecesse, mas nunca desapareceria por completo.”

Ainda assim, Corte de Névoa e Fúria é, na minha humilde (ou nem tanto) opinião, o melhor livro da trilogia, por inúmeros motivos, mas, principalmente, pela estrutura narrativa completa, com detalhes interligados de maneira impressionante e pelos personagens que vão sendo construídos ao longo da história, explorando suas fraquezas e limitações, expondo seus pontos fortes e fracos, tudo isso unido à complexidade das relações humanas feéricas, evidenciando o que Sarah J. Maas sabe fazer de melhor. Ao passo que Corte de Asas e Ruína deixa muito mais pontas soltas, personagens com construções falhas, e uso exagerado de determinados artifícios que citarei mais adiante, pois é um spoiler pesado. Talvez algumas dessas falhas não fossem tão evidentes se não fosse um livro de fechamento de um ciclo, mas, neste caso, temos a impressão de que a escritora abriu um leque de possibilidades para escritas futuras ou, sendo bem pessimista, usou-as discriminadamente sem se preocupar em explicá-las depois.

Essas características que elenquei não diminuem a qualidade geral da saga, que ainda é uma das minhas fantasias preferidas, tampouco a escrita de Sarah que continua nos envolvendo em seu universo. Poderia ser melhor? Acredito que sim. Indico a leitura? Com certeza!

“Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

AGORA VAMOS À PARTE DOS SPOILERS

SPOILERS

A seguir, alguns de meus desabafos sobre o livro:

  • Feyre apenas é toda-poderosa quando convém. Seus poderes parecem desaparecer em alguns momentos do livro, ou ao menos ela demonstra esquecer que existem.
  • Tamlin não merece que passe pano para ele. Se a autora resolveu seguir por um caminho tão claro de que ele é extremamente problemático, vide segundo livro, não consegui engolir um Tamlin que resolve sacrificar sua posição para salvar Feyre, principalmente depois de tudo o que falou durante a reunião, aka Casos de Família. Me irritou um pouco essa brecha para que tudo o que ele fez seja esquecido, principalmente quando se leva em consideração a questão do relacionamento abusivo, que é um tópico que deveria ser tratado com mais seriedade, já que a autora resolveu abordar.
  • Morre/não-morre: no primeiro livro Feyre morre e é ressuscitada. Ok, não esperava que a protagonista permanecesse morta, afinal isso não é Game of Thrones. Mas no terceiro livro, depois da tão esperada guerra, eu acreditei que pelo menos um personagem importante morresse (e continuasse morto), mas parece que Sarinha não tem coragem suficiente para isso. O que, inclusive, diminuiu o sacrifício da Amren, que foi, de longe, a parte mais emocionante da guerra.
  • Com dois deuses da morte e a personificação do próprio medo, imaginei uma batalha completamente diferente. Acreditei que esses seres (ao menos os que eu sabia que apareceriam) iriam entrar em batalha quando tudo estivesse indo mal, e apenas suas presenças bastariam para mudar o jogo, ou para aliviar o lado de Prythian dando espaço a novos acontecimentos, mas foi um pouco decepcionante. A cereja do topo foi o final da Tecelã, cômico se não fosse trágico — ou foi apenas cômico mesmo.
  • A revelação de Mor me fez ficar com raiva, e ela é uma das minhas personagens favoritas! Não achei aquele momento compatível com a personalidade da Mor, nem achei que justificava suas ações com o Azriel e me fez ficar, novamente, decepcionada.
  • Você já leu alguma coisa em que um exército inesperado chega para salvar o dia? Um exército que por um momento achávamos até que pertencia ao inimigo? Você entendeu a referência? Pois eu entendi, Sarah.

Eu continuo, sim, amando o universo de ACOTAR, a escrita da Sarah, e os personagens — a trama ;). É totalmente possível fazer isso e enxergar os defeitos em uma de suas obras.

Sobre a autora:

Sarah J. Maas é autora da série Trono de Vidro, publicada pela Galera, best-seller do New York Times e sucesso internacional Ela adora contos de fadas, filmes da Disney e música pop ruim; bebe café demais e vê muito lixo na TV; Sarah nasceu em Nova York, mas atualmente mora em Buck County, Pennsylvania, com seu marido e seu cachorro.

Ficha de leitura:

Livro: Corte de Asas e Ruína

Autora: Sarah J. Maas

Editora: Galera Record

Páginas: 686

Nota: 5/5⭐

Comprar: Amazon

3 comentários em “Resenha: Corte de Asas e Ruína

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