Resenha: O Clube do Crime das Quintas-feiras

O que acho de mais interessante em assinar o Intrínsecos e a TAG Inéditos é o fato de ler livros que eu provavelmente não daria muita atenção em uma livraria, por exemplo. Quando compro livros, geralmente, escolho entre fantasias e romances. São meus gêneros favoritos, e, a não ser que algum livro de outro gênero esteja sendo muito bem recomendado, permaneço na zona de conforto.

Assinar essas caixinhas foi uma decisão que tomei justamente para sair dessa zona de conforto e ler gêneros diferentes. E até agora o resultado tem sido excelente. Tive acesso a títulos maravilhosos que talvez não desse muita atenção em outra situação. Tudo isso para dizer que O Clube do Livro das Quintas-feiras foi uma grata surpresa. Eu até gosto de histórias sobre investigação, adoro Sherlock Holmes, mas não me aventuro muito além disso. O Clube do Livro das Quintas-feiras, de Richard Osman, que veio na edição de abril do Intrínsecos, me encantou e hoje vou falar um pouquinho sobre essa leitura.

Sinopse:

Toda quinta, em um retiro para aposentados no sudeste da Inglaterra, quatro idosos se reúnem para ― segundo consta na agenda da sala de reunião ― discutir ópera japonesa. Mas não é bem isso que acontece ali dentro. Elizabeth, Ibrahim, Joyce e Ron usam o horário para debater casos policiais antigos sem solução, confiantes de que podem trazer justiça às vítimas e encontrar os responsáveis por algumas daquelas atrocidades do passado. Com todos os integrantes acima dos setenta anos, o Clube do Crime das Quintas-Feiras não é a equipe de detetives mais convencional em que se conseguiria pensar, mas com certeza está mais do que acostumada a fortes emoções. Afinal, Joyce foi enfermeira por décadas, Ibrahim ajudou pacientes psiquiátricos em situações dificílimas, Ron era um reconhecido líder sindical e Elizabeth… bom, digamos que assassinatos e redes de contatos sigilosas não eram nenhuma novidade para ela. Quando um empreiteiro local com projetos bastante questionáveis na cidade aparece morto, o grupo tem a oportunidade de seguir as pistas de um caso atual. Apostando em seus semblantes inocentes e habilidades investigativas estranhamente eficazes ― além de trocas de favores clandestinas com a polícia, que, apesar de todos os esforços, parece estar sempre um passo atrás de seus colegas amadores ―, os quatro amigos embarcam em uma aventura na qual as mortes do presente se entrelaçam com antigos segredos, e em que saber demais pode trazer consequências perigosas.

Narrado em terceira pessoa, com exceção dos divertidíssimos capítulos do diário de Joyce, o livro acompanha diversos personagens na história além dos quatro detetives fora do comum, e, aos poucos, vamos percebendo como cada um está interligado. 

Quando pensamos em um lar para idosos, normalmente associamos a um lugar tranquilo, em que os dias são ocupados com atividades comuns, como jogos de tabuleiro, atividades físicas leves e um clube ou outro de leitura, mas os moradores de Coopers Chase não são comuns. E, quando quatro desses moradores se unem para solucionar crimes, não imaginamos o que está por vir.

O mais interessante é como a personalidade e as habilidades de cada um se complementam. Elizabeth é um mistério, e a cola que os une. Joyce é muito observadora. Ron fala o que pensa. E Ibrahim… bem, Ibrahim também fala o que pensa, mas ele pensa demais! 

E, cada um com seu talento, dores no joelho e um caminhar não tão ligeiro como antigamente, estão sempre um passo adiante das investigações policiais. Tanto que os policiais acabam não resistindo aos fortes argumentos de Elizabeth, e talvez aos bolos de Joyce, e os incluem em diversas partes da investigação (como se tivessem escolha quando se trata de Elizabeth).

A trama é tão bem construída que ficamos intrigados do começo ao fim. É uma leitura extremamente agradável, mas não deixa de nos fazer refletir sobre o modo que a sociedade enxerga os idosos. 

“Vários anos atrás, todos acordavam cedo, pois havia muito o que fazer e o dia só tem vinte e quatro horas. Agora acordam cedo pois há muito o que fazer e seus dias estão contados.”

Um livro inteligente, interessante, bem construído, com personagens que irão te encantar e um mistério que certamente te surpreenderá. Não cansarei de recomendar a leitura.

Sobre o autor:

Richard Osman é produtor e apresentador de televisão. Já trabalhou em diversos programas de TV britânicos e hoje tem o próprio game show na BBC. O Clube do Crime das Quintas-Feiras é seu primeiro livro ― e por enquanto o melhor.

Ficha de leitura:

Livro: O Clube do Crime das Quintas-feiras

Autora: Richard Osman

Editora: Intrínseca

Páginas: 400

Nota: 5/5⭐

Comprar: Amazon

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